Mais de quatro séculos passaram já desde a publicação da 1.ª edição de Os Lusíadas(1572) e mantêm-se as interrogações sobre a data e a terra do nascimento de Camões e, até sobre a sua filiação.
No Canto V, 87 (1-4), parece haver, mesmo uma previsão do nosso épico a seu respeito, quando fala de Homero:
“Esse que bebeu tanto da água Aónia,
Sobre quem tem contenda peregrina,
Entre si, Rodes, Smyrna e Calofónia,
Atenas, los Argo e Salamina;”
Culturalmente, a sua preparação realizou-se em Coimbra, talvez já no período universitário, uma vez que data de 1537 a transferência da Universidade para lá. Ai se estreia o poeta.
Interrogação é, também, a data da sua mudança para Lisboa. Aí, a sua poesia continua e facilita-lhe a entrada na corte. Entretanto é expulso e vai, primeiro , para Alenquer, depois, para Ceuta onde perde um olho em combate.
A vida em Lisboa, no regresso, já não é fácil e, em Junho de 1552, envolve-se numa rixa entre dois mascarados, fere um Gonçalo Borges é preso e , depois, condenado ao exílio na Índia. Por lá esteve 15 anos, sofrendo, mesmo, a prisão, em Goa. Sonetos, canções, elegias, éclogas…(a Epopeia) a mulheres que amou Bárbara, a escrava, Dinamene à saudade da Pátria distante, do seu passado, e as agruras do desterro foram a forma de evasão que fizeram do exilado o maior génio da literatura portuguesa.
Este singular gigante das Letras regressa pobre e passa por Moçambique onde o socorrem os amigos, como diz Diogo do Couto, e morre em Lisboa, depois do desastre de Alcácer Quibir, em 10 de Junho de 1580.
D. Gonçalo Coutinho, numa previsão inconsciente do futuro, mandou gravar uma lápide que o Terramoto de Lisboa, em 1775, não poupou e veneram-se, nos Jerónimos, restos mortais do poeta(?) não identificados.
Schlegel declarou que »Camões vale por si só uma literatura inteira».
Na verdade, além de ser considerado o 3.º maior épico de todos os tempos depois do suposto Homero e de Virgílio, foi um lírico de primeira grandeza, compondo sonetos, canções, éclogas, odes, elegias, que cultivou com valor inexcedível. Também escreveu três obras dramáticas: O Auto de El-Rei Seleuco, Anfitriões e Filodemo, e algumas cartas. Afrânio Peixoto afirma:» Dos prodígios que fez Portugal no Mundo, dois maiores fez: Camões e o Brasil.»
Referências bibliográficas
CARRIÇO, Lilaz F. dos Santos - Nos Caminhos do texto. Porto: Porto editora,1994.
256 p. ISBN 972-0-31039-1
dezembro 12, 2008
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